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30/01/2009

EUA perdem principal especialista em águas profundas

J. Lamar Worzel, geofísico oceânico e projetista de aparelhos de emergência que forneceu uma visão inicial dos picos e vales de águas profundas e revelou a forma pela qual o som se propaga sob as ondas, morreu no dia 26 de dezembro em sua casa em Wilmington, Carolina do Norte. Ele tinha 89 anos. A causa da morte foi um ataque cardíaco, segundo sua filha Sandra Browne.

Em mais de 40 anos de carreira, Worzel acumulou incontáveis milhas náuticas ao redor do globo, na maioria das vezes a bordo de uma escuna de pesquisa de casco negro e três mastros, a Vema, e se lançou a milhares de braças abaixo da superfície em submarinos da Marinha.

Sua pesquisa serviu de base para um dos mais bem-sucedidos esforços de espionagem americanos da Guerra Fria, a escuta de sons produzidos por submarinos soviéticos. Com seu mentor, Maurice Ewing, fundador do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade Columbia, Worzel realizou avanços significativos numa época em que o fundo do oceano era em grande parte um território científico inexplorado.

Ewing havia sido professor de Worzel na Universidade Lehigh no final dos anos 1930, e eles trabalharam juntos - com um grupo de outros alunos de Ewing - primeiro na Instituição Oceanográfica Woods Hole de Massachusetts e, a partir de 1948, no que era originalmente chamado Observatório Geológico Lamont. O presidente da universidade na época, Dwight D. Eisenhower, foi quem os convenceu a abrir seu próprio observatório em um imóvel com vista para o rio Hudson, em Palisades, Nova Jersey.

Com as idéias de Ewing e a liderança de Worzel, a equipe produziu os precursores de aparelhos de medição mais precisos: uma câmera para tirar fotos a centenas de metros abaixo da superfície oceânica, que usava a tampa de uma lata de café como refletor de luz e um grosso copo como revestimento; um sismógrafo feito com um relógio de bolso modificado; um oscilógrafo para registrar mudanças elétricas, que funcionava com o motor de um trenzinho elétrico.

"Para detonar explosões sob as pressões de até 5,4 t/cm² do fundo do mar, até então consideradas impossíveis por especialistas, Worzel cuidadosamente inseriu explosivos em câmaras de ar e então conseguiu arranjar um jeito deles dispararem ao adaptar cápsulas de papel de revólveres de brinquedo," disse na quarta-feira Kevin Krajick, antigo jornalista científico do Observatório Lamont-Doherty.

Frank Press, ex-presidente da Academia Nacional de Ciência, disse que entre outras realizações, Worzel e Ewing "determinaram que o leito do mar não era um antigo continente, mas parte de uma base oceânica original." "A antiga teoria," explicou Press, um dos autores do manual de geologia "Understanding Earth", "defendia que o leito oceânico era um antigo continente que afundou há milhões de anos."

Mas medições de Worzel e Ewing determinaram que a crosta sob o leito oceânico era muito mais fina e possuía propriedades físicas diferentes da crosta sob os continentes. "Outros cientistas usaram seu trabalho para explicar as placas tectônicas e a deriva continental," disse Press. As medições da equipe de Ewing e Worzel também descobriram as "zonas de sombra" - regiões submersas onde combinações específicas de temperatura e pressão bloqueiam as ondas sonoras, incluindo o sonar de embarcações na superfície, permitindo que os submarinos se escondam.

Seu trabalho também revelou "canais de som profundo" - zonas estreitas de cerca de 910 m que transmitem sons de baixa-freqüência por milhares de quilômetros. Em 1960, por exemplo, a equipe soltou uma carga de profundidade em águas australianas. As ondas sonoras foram detectadas a 19.312 km e 223 minutos mais tarde, nas Bermudas.

"A descoberta se tornou a base de um programa da Marinha durante a Guerra Fria, o SOFAR - fixação e alcance do som, na sigla em inglês - e de seus sucessores," disse Krajick, "armas secretas que cercaram o mundo com aparelhos de escuta para identificar e rastrear submarinos soviéticos."

John Lamar Worzel nasceu em Staten Island no dia 21 de fevereiro de 1919, filho de Howard e Mary Wilson Worzel. Ele se formou em Lehigh no ano de 1940 e logo se integrou à equipe de Ewing em Woods Hole. Concluiu seu mestrado de geofísica em Columbia em 1949 e seu doutorado no ano seguinte. Além de sua filha, Worzel deixa a esposa de 67 anos, antiga Dorothy Crary; três filhos, Howard, Richard e William; oito netos; e dois bisnetos.

Quando Ewing se tornou diretor do observatório Lamont em 1948, escolheu Worzel como adjunto. Boa parte de seu trabalho foi financiado pela Marinha. No final dos anos 1960, com os protestos estudantis ameaçando a pesquisa militar nos campi universitários, eles abriram o Instituto Geofísico Palisades, com o intuito de continuar as pesquisas secretas para a Marinha. Enquanto servia como presidente do instituto, Worzel manteve seus cargos acadêmicos.

Em 1972, Worzel e Ewing deixaram Columbia pela Universidade do Texas. Quando Ewing morreu dois anos mais tarde, Worzel o substituiu como diretor do Instituto de Geofísica da universidade. Em Columbia, Worzel adquiriu várias embarcações de pesquisa, inclusive a Vema, e ia para o mar com elas.

Em 1951, ele liderou uma expedição na qual o ecobatímetro descobriu uma montanha a mais de 1,6 km abaixo da superfície, e a 322 km de Cabo Cod, EUA. Quatro anos depois, leituras magnéticas durante outra expedição descobriram um vulcão sob o leito oceânico, 161 km ao leste da costa de Nova Jersey. E depois de outros quatro anos, em outra viagem, quatro criaturas semelhantes a caracóis até então consideradas extintas há 300 milhões de anos foram trazidas vivas de uma profundidade de 5.486 km, 322 km ao oeste do Peru.

"80% da superfície da Terra é água," disse Worzel em 1955. "Estamos apenas começando a descobrir o que essa porção realmente representa."

FONTE: The New York Times
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